AFRICA E MOCAMBIQUE NA ÉPOCA DAS REVOLUCOES BURGUESA E INDUSTRIAL: SECULOS XVIII E XIX
AFRICA
E MOCAMBIQUE NA ÉPOCA DAS REVOLUCOES BURGUESA E INDUSTRIAL: SECULOS XVIII E XIX
1. O
mapa político de África no fim do século XVIII e princípios do século XIX
Neste período, o mapa político de África, apresentava
uma configuração diversificada, com alguns estados e reinos independentes e soberanos, como: O Socoto, Yoruba, Kanen
Bornu, Etiópia, os Yaos, Gaza, entre outros. [Apesar
de existirem relações, comerciais, com as potências estrangeiras, cada estado
ou reino mantinha a sua autonomia preservando os seus valores culturais,
políticos e sociais.] Tratando-se
de um período pré-colonial, as fronteiras africanas estavam bem definidas de
acordo com as etnias e tribos. [Lapidar/Revisitar
texto original no plano semi-bruto: os pontos 1 e 2↓]
No final do
século XIX, após a Conferência de Berlim (1884-1885), devido à partilha
colonial de África, o mapa político de África passou a obedecer a divisão feita
pelas potências europeias.
2. A
estrutura sócio-económica em África e Moçambique e as relações com o mundo
A economia
africana era agrícola,
virada para a produção e exportação, de chá, tabaco, algodão,
girassol, sisal, cana-de-açúcar e amendoim, através do sistema de companhias. Outras culturas como: o
arroz, frutas, hortícolas e milho, foram produzidas para abastecer as cidades
nas colónias. O comércio era mais visível na zona costeira, feito com
mercadores estrangeiros.
Até finais do Século XVIII, a sociedade africana era diversificada, com costumes e culturas próprios.
[Os africanos e europeu mantiveram
relações, em geral amistosas e comerciais.] Porém, a partir do
século XIX, a estrutura sócio-cultural dos africanos foi modificada e adaptada
para satisfazer os interesses coloniais. Para atingirem os seus interesses
políticos e económicos, os colonos obrigaram os africanos a aderirem à cultura
europeia, em detrimento das culturas locais. Deste modo, os africanos deixaram
de ser independentes e passaram a fazer parte de uma sociedade dividida, da
qual faziam parte a burguesia
Neste período, Moçambique foi marcado pelo comércio
de marfim feito pelos portugueses, holandeses, ingleses, franceses e pelos
nativos e, foi integrado pela acção destes europeus, no comércio
internacional de escravos para as ilhas francesas do Índico e,
posteriormente para América e Europa.
3. A
presença europeia em Moçambique
A presença europeia em Moçambique, teve início no
século XV no período da expansão europeia, com a passagem em 1489, de
Pêro de Covilhã, em missão de reconhecimento. Mas a presença colonial em Moçambique foi marcada pela passagem de Vasco da
Gama, em 1498. Após esta data, em 1505, os portugueses ocuparam
Sofala e posteriormente formaram a primeira comunidade portuguesa nas
proximidades da capital do Império de Mutapa. A ocupação de Sofala foi de
grande importância para os portugueses porque era tida como principal fonte de
ouro vindo do interior. A partir de 1610 as migrações europeias para
Moçambique foram acrescidas com a presença de missionários de diversas ordens
religiosas, de vários países europeus como os dominicanos e jesuítas. Em
Moçambique, entre a segunda metade do século XVIII e primeira metade do
século XIX (1830), chegam os ingleses, que faziam comércio de marfim na
Baia de Maputo, os franceses, dedicados ao comércio de escravos e mais
tarde os italianos.
Questões: 1. Caracterize o mapa
político de África entre os séculos XVIII e XIX. 2. O que aconteceu no mapa
politico de África após a Conferencia de Berlim? 3. Caracterize a economia africana no período pré-colonial. 4.Caracterize a sociedade africana até
finais do século XVIII e, a partir do século XIX. 5 Caracterize as relações de
África com o restto do mundo nos finais do século XVIII e princípios do século XIX.
4. O
MUNDO CAPITALISTA:
Do capitalismo de livre concorrência ao capitalismo monopolista
O Capitalismo – É um sistema económico
baseado na propriedade privada dos meios de produção, no uso do trabalho
assalariado e na obtenção do lucro através do investimento de capitais.
O Capitalismo
Industrial ou de Livre Concorrência, desenvolveu-se na Europa entre o séc.
XVIII e 2ª metade do século XIX, na 1ª Fase da Revolução
Industrial.
A passagem do
Capitalismo de Livre Concorrência ao Capitalismo Monopolista, significou uma mudança na
estrutura económica do Capitalismo, nos finais do século XIX. Consistiu na substituição:
|
Capitalismo de Livre Concorrência
→ |
Capitalismo Monopolista |
|
·
Multidão
de pequenas e medias empresas; → ·
Pequeno
capitalista individual ou familiar; → ·
Operário
isolado
→ |
·
Grandes
empresas (concentração industrial ou
monopolista); ·
Grandes
grupos financeiros ou sociedades anónimas; ·
Sindicatos |
VARIANTE B : A concentração monopolista
consistiu na substituição: Da multidão de pequenas empresas por um número restrito de
grandes empresas que ocupam posições monopolistas; Do pequeno capitalista
individual pela grande sociedade anónima; do operário isolado pelo sindicato. (ARQUIVO)
O Capitalismo
Monopolista
– Desenvolveu-se entre fins do século XIX e inicio do século XX (até a 1ª Guerra Mundial 1914-1918), na 2ª fase da Revolução Industrial. Foi caracterizado por três elementos fundamentais:
1.
Concentração
monopolista ao nível da maioria das empresas privadas nos diferentes sectores
da economia.
2.
Exportação
de capitais privados e recrudescimento/intensificação
do sistema colonial (Imperialismo).
3.
Afirmação
da importância do capital, no processo de concentração, na exportação de
capitais e na exploração das colónias.
FORMAS DE
CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL
A Concertação manifesta-se pelo
agrupamento de muitas pequenas empresas num grupo forte ou com capitais
suficientes para investimentos, absorvendo ou levando à falecia as empresas
mais fracas.
Existem duas formas de concentração industrial: A Vertical e Horizontal.
a) Concentração
Vertical ou Integração:
É o agrupamento de empresas ligadas à várias etapas ou fases da produção, desde
a obtenção da matéria-prima à venda do produto final. Este tipo de concentração
é frequente na metalurgia.
Exemplo:
Exploração de minas de ferro → Fundição → Fabrico do produto → Transporte →
Colocação ou venda no mercado consumidor.
b) Concentração
Horizontal –
Associação de empresas que controlam a fase final e, em alguns casos as fases
intermédias da produção. Este tipo de concentração comporta vários tipos de
grandes grupos monopolistas tais como:
Carteis e Trusts.
·
Carteis – Associações de várias
empresas dedicadas ao mesmo ramo de produção e que, sem perderem a sua
autonomia, monopolizam o mercado.
·
Trusts - Grupo de empresas com
orientação económica comum, mas que, ao associarem-se, perdem a independência.
O impacto da
Concentração Monopolista
A concentração, conseguiu trazer um entendimento ao
nível das empresas que se traduziu em monopólios, mas trouxe contradições
entre as potências capitalistas/ imperialistas
traduzidas em lutas pela posse de fontes de matérias-primas, mão-de-obra
barata e mercados (colónias).
GLOSSÁRIO (Vocabulário)
·
Monopólio ou Concentração Monopolista - Grande empresa, que pode
ser multinacional, que controla ou domina o mercado de um ou mais produtos, na
da oferta e fixação de preços.
·
Monopólio – Privilegio de fabricar
ou vender certas mercadorias sem concorrência de outrem; direito exclusivo de
produzir e vender.
·
O Imperialismo - É a expansão de um
estado para dominar política e economicamente nações pobres e fracas (colonialismo)./Imperialismo pode-se dizer que é a fase monopolista do capitalismo.
·
Imperialismo
– Domínio de grande parte do mondo
pelas potencias capitalistas/industrializadas.
Questões
1.
Explica
em que consistiu a passagem do capitalismo de Livre Concorrência para o
Capitalismo Monopolista.
2.
Quais
são os três elementos fundamentais que caracterizam o Capitalismo Monopolista.
3.
Diferencia
a concentração Vertical da Horizontal.
4.
Qual
foi o impacto da Concentração
Monopolista?
5.
Define
o monopólio e Imperialismo.
5. AS GRANDES
POTÊNCIAS CAPITALISTAS E A PARTILHA DO MUNDO
Nos fins do século XIX e início do
século XX, vastas regiões do globo eram dominadas pelas potências imperialistas
europeias,
nomeadamente: Inglaterra, Alemanha,
Portugal, França, Bélgica, e Holanda. Estas potencias tinham colónias na
América Latina, em África e na Ásia, formando grandes Impérios coloniais e rivalizaram-se entre si pela posse de
territórios (colónias), com
o objectivo de: obter matérias-primas,
novos mercados, mão-de-obra barata e investir o capital acumulado
pelas empresas monopolistas.
A CONFERENCIA
DE BERLIM (1884-1885)
Para resolver
as deputas territoriais e evitar futuros conflitos, sobretudo em África, as
grandes potências europeias realizaram a Conferencia de Berlim (1884-1885), em Berlim, capital da
Alemanha, onde decidiram dividir África
entre si e aprovaram o princípio de ocupação efectiva dos territórios.
O traçado
das fronteiras das colónias foi fixado de forma arbitrária. Os governos coloniais não
respeitaram a localização dos grupos étnicos, reinos e estados africanos
existentes que ficaram separados e divididos por uma e outra potência colonial.
A
Conferencia de Berlim desencadeou, de imediato, a corrida colonial para África, isto é, a competição entre as potências pela conquista
dos territórios.
A CONQUISTA E
RESISTÊNCIA À OCUPAÇÃO COLONIAL EM ÁFRICA
O processo de ocupação e conquista de África pelos
europeus foi irreversível, após a Conferência de Berlim (1884-1885) até século
XX. A dominação colonial europeia provocou a revolta e fúria dos africanos, por
isso, iniciaram lutas de resistência,
heróicas, que se prolongaram até à segunda metade do século XX. A
resistência dos povos africanos manifestou-se
de duas formas: Resistência armada
e pacífica.
Causas
do fracasso das s resistências africana
§ Superioridade militar
europeia.
§ Falta de unidade entre os
africanos.
§ Aliança entre os chefes
africanos e os colonizadores (em troca de
benefícios económicos).
EXEMPLOS DE RESISTÊNCIA NA ÁFRICA AUSTRAL
·
Na
África do sul – Em1879, ocorreu a resistência dos zulos comandada por Cetshwayo, Dingane e Tchaka, contra os ingleses.
·
Na
Namíbia – Verificou-se a resistência contra os
alemães feita por várias tribos: Dos Hereros
liderados por Samuel Maherero
(1904) e dos Namas, chefiados por Hendrick Witbooi e Jacob Murenga (1903-1907).
·
Em
Moçambique – Entre 1895 e 1920, assiste-se a
resistência contra a ocupação portuguesa: liderada por vários guerreiros: a) Na
zona Sul, no Império de Gaza, foram, Ngungunhane,
Maguiguane, Mahazul, Matakenya, Zixaxa e Nuantidjana e outros; b) Na
zona centro, destaca-se a Revolta de Bárué, (1917), em Manica, liderada por
Nongwe, Mbuva e Makossa; c) Na
zona Norte, no planalto dos Macondes, a resistência foi liderada por Mataca, Macundes e Xeques ou Amwenes.
Nota: Após a conquista territorial,
as unidades políticas existentes foram desmanteladas, as guerras étnicas
suprimidas. O xibalo e o imposto de Palhota foram introduzidos e montou-se de
seguida uma estrutura político-administrativa colonial.
Questões
1. Nomeia
as grandes potências coloniais ou imperialistas da Europa.
2. Explica
qual era o objectivo das potências imperialistas ao partilhar África e outras
regiões do mundo?
3. Sobre
a Conferência de Berlim, diga: a) Quando se realizou; b) Porque se realizou; c)
Quais foram as duas principais decisões nela tomadas.
4. Quais
foram as duas formas de resistência à ocupação colonial em África?
5. Explica
por que razão a resistências dos povos africanos fracassou.
6. Menciona
os principais líderes de resistência a ocupação colonial que se destacaram no
sul de Moçambique.
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