Quando os jovens “santos da musica” começam a lamber botas da política

Quando os jovens “santos da musica” começam a lamber botas da política

In Video: Lukie, Brokl e Azkhinera jovens artistas moçambicanos, super talentosos e em ascensão, saindo de uma apresentação e lançamento da sua nova música, na Matola,  onde enaltecem o Presidente do partido Frelimo e presidente da República de Moçambique. 



Introdução 

Em Moçambique, é cada vez mais comum ver jovens músicos talentosos, ainda em ascensão, agravitando em volta de políticos, elogiando demais, aparecendo em campanhas, postando fotos de mão dada, cantando against do governo e até usando palco como palanque. Esse comportamento, muitas vezes, é um exemplo claro de bajulação: elogiar muito, de forma servil, para ganhar favor, show, contrato ou visibilidade.  


Quem está a ser bajulado?

Na maioria das vezes, quem recebe esse tratamento de “rei” são **políticos**, candidatos, deputados, governadores e até membros de partidos. Alguns músicos chegam ao ponto de transformar o palco num comício: discursam, elogiam o poder, vendem a imagem do governo como se fosse a única coisa boa no país. O problema é que, por trás disso, o artista não está a cantar por amor ao povo, mas por um contrato, um show bem pago ou um convite para festa VIP.  


 Porque jovens músicos fazem isso?

Muitos ainda são jovens, cheios de sonho, com pouco dinheiro e muita pressa em crescer. Alguns acham que “amigo do poder” é o atalho mais rápido para o sucesso.  

- Pode ser um convite para um show num evento governamental,  

- Uma tornee de campanha,  

- Ou simplesmente aparecer ao lado do “cabeça” na foto para ganhar relevância.  


Em bairros, feiras e redes sociais, isso vende bem: muita gente vê “artista com político” como “artista importante”. Mas o que poucos analisam é o preço que o artista e o país pagam depois.  

O que perde o músico?

Quando o artista escolhe bajular políticos, ele corre riscos graves:  

1. Perde credibilidade – o público começa a ver o cantor como “lambe‑bota”, não como voz crítica.  

2. Perde fãs– muitos que votam de forma diferente, ou que não gostam daquele partido, simplesmente param de ouvir ou de ir a shows.  

3. Fica preso ao poder – se o político cair, o governo mudar ou o partido perder força, o artista pode ficar sem convites, sem apoio e até ser “esquecido” do mapa cultural.  

4. Perde liberdade de falar– depois de lamber botas, fica difícil criticar corrupção, abuso ou má‑gestão sem ser chamado de “traidor” ou “ingrato”.  

Além disso, o artista deixa de ser visto como representante do povo e passa a ser visto como empregado do regime, o que tira parte do seu brilho e da sua missão social.  

O que perde o público?

O público também sai prejudicado com essa “cumplicidade” entre artista e política:  

- Recebe arte partidarizada, em que a música vira propaganda e não mais reflexão.  

- Perde cantores que poderiam falar de social, de injustiça, de luta, mas que agora só falam bem do governo.  

- Sente que está a ser “manipulado” por músicas que escondem interesses partidários.  

Quando o jovem talento começa a usar o palco para lamber botas, o público perde não só música, mas também consciência crítica.  


 E o político, o bajulado?

O político também não sai ileso. Toda bajulação é um tiro no pé:  

- Quem é sempre elogiado por artistas, sem nunca ouvir crítica, tende a ficar ainda mais cheio de si, pensando que não erra.  

- O poder acaba acreditando que o povo o ama, só porque vê cantores com nó na gravata ao lado.  

- Se o político estiver mal na gestão, e o artista continuar a bajular, o mal‑estar do povo cresce e, quando salta, é o regime todo que perde apoio, não só o político.  

Em muitos casos, o político ama bajulação, mas, quando cai, é abandonado por aqueles que antes o elogiavam. Aí, o artista que o bajulou fica com a cara limpa, mas a reputação manchada.  


 A importância de ser voz crítica, não lambe‑bota

Quem é jovem, talentoso e ainda em ascensão tem uma missão muito maior do que ganhar um show ou um contrato fácil:  

- Pode ser voz dos bairros, das comunidades, das lutas reais.  

- Pode usar a música para falar de educação, saúde, trabalho, injustiça, sem ser “cão” de ninguém.  

- Pode chegar ao topo sem lamber botas, construindo uma imagem de artista honesto, que dialoga com o povo, não com o poder.  

Quando o artista escolhe crítica consciente em vez de bajulação, ele ganha não só fãs, mas também respeito. E o público agradece tendo músicas que falam das suas dores, não dos interesses de um político.  


Conclusão 

Em suma, quando os jovens músicos talentosos começam a lamber botas da classe política, parece que levam uma vantagem rápida, mas o país, o povo e o próprio artista perdem muito. O artista perde liberdade, credibilidade e fãs; o público perde música honesta; e o político perde a chance de ouvir verdades que poderiam ajudar a melhorar o país.  


O melhor caminho para um artista em ascensão é andar com a política, mas sem se curvar. Falar com poder, criticar quando for preciso, elogiar quando for justo, e nunca deixar que um contrato ou um show o transforme num “bajulador profissional”.  


Se o artista souber isso, não só vai brilhar na música, como também vai deixar uma marca de respeito, não de lambe‑botismo.


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